Texto 1

Bom, começamos com um luto, terrível e desconfortável. Algo que não esperamos, e arrasador é a morte de alguém. E é tão triste que de fato é um dos poucos momento que nos solidarizamos com as pessoas, passamos a tentar consolar, dizer coisas bonitas  e até mesmo falamos do falecido como se conhecêssemos. Loucura  é que os próximos não se dão conta que as vezes o que falamos não condiz de fato com a pessoa morta, mas no momento de dor vale qualquer  consolo.

Bom a verdade é que em momentos de luto nos comportamos de uma outra forma nos ajustamos para aquele momento. Bom talvez é por isso que a Hannah pede na primeira fita para não regular o volume ou não estranhar, afinal não é para agir de outra forma e sim estar como somos , para receber aquele incomodo de não sermos capazes de evitar a morte ainda mais de alguém jovem.

Recentemente eu tive essa experiência, de principio fui como muitos vão a um enterro preparado para consolar ou ajudar alguém, mas ver alguém jovem morrer de causas trágicas da uma impotência e ao mesmo tempo a culpa de ter feito pouco por aquela pessoa. E ver que a minha negligencia pode ter empurrado um pouco mais aquela pessoa para o caixão. No final o resultado foi devastador deixei 
de me regular e senti um turbilhão de coisas ao mesmo tempo, precisei me recuperar.

Posteriormente ao longo do episodio Clay recebe as fitas e começa a “epopeia” de escutar cada uma individualmente, bom a primeira é sobre Steve. A principio pode pensar que se trata apenas daqueles casos de vazamento de fotos, pessoas rindo ou espalhando boatos sobre o assunto. Bom pra mim esse episodio vai além, primeiramente temos nas nossas caras algo que passa despercebido, algo de relance que é comentado sobre um sorriso.

Talvez um sorriso malicioso ou não, mas a verdade é que uma das coisas que as pessoas mais reparam são sorrisos e aquele verdadeiro é os que mais conquistam , causam empatia e confiança. Bom não foi surpresa o envolvimento que vem em seguida, porem é o que fazemos depois dos sorrisos que a série faz questão de apresenta. Depois da conquista e de uma noite agradável. Vemos Steve se gabando de conquistador (coisa natural de um homem, infelizmente)e então o fatídico acontecimento uma foto errada, constrói um ideia errada.

Nesse momento pude observar que com sorrisos podemos obter muitas coisas dês de um sorriso em resposta como ate mesmo a confiança por completo de alguém. Assim que começam as amizades normalmente, porem não foi o caso e curiosamente o sorriso foi além um beijo, que de principio foi sincero e doce, mas depois se tornou objeto de uma “conquista”. Uma conquista idiota que construímos na sociedade afinal para muitos o homem tem que ser o garanhão, e se não consegue é um “perdedor”.

Infantil né, porém é a mais pura verdade. E como o ápice de virilidade precisa se exibido ao mundo a grande conquista, porem sem pensar nas consequências ou as histórias que podem ser geradas. 
Infelizmente isso não se aplica só ao universo masculino, além de não se aplicar a momentos de relacionamento. Muitas das vezes os sorrisos são outros  e as recompensas outras. Depois largamos o próximo, além de mostrarmos o que obtivemos, como um troféu sem pesar como o outro estava ou reagiu aquilo tudo.

Quais são os nossos sorrisos ? O que temos feito depois deles?







É HORA DE FALAR SOBRE ISSO

Talvez seria clichê falar sobre 13 Reasons Why, afinal a série do momento e que todos estão amando mas não vim aqui só pra fazer um critica da série. Vim aqui registrar as minhas observações talvez depressivas de uma sociedade doente.

Tenho conversado muito com os meus amigos sobre essa série afinal todos estão falando sobre. Porém o que tenho escutado são apenas impressões do tipo “ Nossa é muito boa”, “Nossa é muito triste”  entre outras coisas do tipo. Digo que eu mesmo fiz esses comentários, porem tenho realizado uma experiência que me tem feito um mal e um bem ao mesmo tempo. Me propus a assistir um episódio por dia assim como o Protagonista escuta as fitas na série.

Para mim algo inédito, assistir uma série apenas um episódio por dia, porém poderoso. Escutei varias observações sobre não conseguir parar de assistir ou virar a noite vendo todos o capítulos desta tragédia. Parei pra pensar e me questionei, por que ver algo tão depressivo assim tão rápido?

Sei que existem pessoas que não possuem estrutura emocional para aguentarem o rojão que a série propõe. Mas uma grande maioria das pessoas que falaram que a série e boa  e que fizeram maratona para ver, expressaram com um sorriso no rosto . Bom, não quero julgar quem fez isso porem, não é algo que se possa falar sorrindo. 

Então mais uma vez me questionei sobre a velocidade como as pessoas assistiram,  Cheguei a uma conclusão aterrorizante, posso estar talvez errado, cada pessoa que assiste tem uma metáfora com um dos treze personagens na série. Desconfortável não? Posso ate imaginar as caras de algumas pessoas falando que não se negando, mas pare e pense na sua vida. Não quero apontar dedo na cara de ninguém até  porque me incluo nisso.

Talvez uma das coisas que mais temos feito é ser um porque na vida de alguém. Quando confrontados com nossos espelhos no mundo do entretenimento, ficamos comovidos e depois passa batido com um simples “é muito boa a série”. Dói né? Pensar que podemos estar matando alguém, ou que alguém pode estar sofrendo e não estamos fazendo nada.

A verdade é que somos desagradáveis, o ser humano é desagradável.  Essa série basicamente aponta o dedo para todos, e mostra a realidade de uma sociedade que não tem perdão com o próximo.  Pode ser que esse seja o principal foco da série mostrar o quanto o ser humano pode ser e por traz do foco sobre bullying o sub texto que percebemos e optamos ignorar é esse. É possível observar que a cada episódio cada tema abordado vemos atitudes comuns a muitas pessoas , coisas referentes a uma coletividade e que muitas vezes  sabemos que existem mas assim como na série só queremos para o próximo ate que tudo acabe.


Bom eu fui o próximo que recebeu esse recado e resolvi sair da caixinha, pensar além do que eu ser humano sou e a cada segundo do seriado visto diariamente parei pra refletir e escrever meus  treze textos.  Eu sei está longo mas por favor segue comigo esse pensamento nas próximas postagens.
O que os curtas nos permitem sentir é indescritível. Em tão pouco tempo, consegue-se extrair diversas emoções que muitos filmes nem chegam perto. Listarei aqui,portanto, meus favoritos. Muitos deles possuem minha preferência por terem sido assistidos na infância e em fases marcantes da vida.

1. Para este curta eu não tenho nenhuma análise ou significado profundo. A história simplesmente me diverte de forma inexplicável. A única observação que faço é para o tamanho divertimento que o velhinho tem consigo mesmo. Quem teve uma infância um tanto quanto solitária irá, com certeza, se identificar. Eu,por exemplo, passei muitas horas inventando conversas e discussões onde eu interpretava vários papéis: emissor E receptor. 
   Meu primeiro contato com a animação foi na fita cassete de Vida de Insetos, onde me apaixonei a primeira vista. 



2. Mais um da Pixar? SIM SENHOR. Vencedor do Oscar de 2017 de melhor curta animado, Piper tem um  enredo bem simples e é um deleite para o olhos. Fiquei impressionada com a verossimilhança dos pelos do pássaro, além da própria paisagem e história muito bem humorada (e bonitinha que dói,gente. ai que fofura.)





3. Todos esses curtas tem relação com a minha vida pessoal. A arte não é uma via de mão única,correto? Precisa-se do apreciador para esta se concretizar como "arte" em si. Além disso, minha concepção de arte é a capacidade de se resumir o pensamento com maestria, seja por meio de filmes,curtas,quadros,esculturas(se pensar assim, arte é algo muito dificil de se fazer), portanto a terceira posição fica para Alarm. Traduz,perfeitamente, o que uma pessoa péssima em acordar vive diariamente.

4. AGORA É CURTA BRASILEIRO. A Ilha é um dos mais engraçados que já assisti. Como no primeiro, não possuo nenhuma análise: é puro entreterimento.


5. Pearl é o curta animado indicado ao Oscar 2017, porém perdeu para Piper. O sua peculiaridade é a visão em 360 que ele permite e,garanto, isso faz muita diferença quando assitido. A história me tocou bastante, de modo que trata da evolução do relacionamento de pai e filha criando um ambiente extremamente nostálgico (nostálgia é comigo mesmo.)

BÔNUS:  

Já que estamos falando sobre relacionamentos, Escolhas da vida merece participação. Nesse maravilhoso curta, o sentimento de preenchimento e mudança por meio de quem amamos é abordado de forma muito sincera e verídica.(dá aquele quentinho no coração,sabe?)













Resumão: Lee Chandler (Casey Affleck) é forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente após o pai (Kyle Chandler) do rapaz, seu irmão, falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes.

"Eu não consigo superar". Frase que melhor resume o estado mental do protagonista Lee Chandler, interpretado pelo irmão mais novo de Been Affleck: Casey Affleck (sabia que eu conhecia essa cara de cachorro sem dono de algum lugar). O início do longa nos revela muito pouco sobre o decorrer da vida de Lee para sabermos o motivo de sua tristeza. Consegue-se perceber o esforço absurdo do personagem para seguir em frente encontrando,entretanto, apenas frustração. O esforço a qual me refiro é o psicológico, uma vez que Lee tem uma vida normal e "suficiente" trabalhando como faz-tudo em alguns predios, porém seu estado mental está completamente abalado, transbordando em seu olhar triste, pesado e decadente.

Casey consegue transmitir com louvor um homem contido em sua emoção que leva a vida de uma forma extremamente pesada, descontando a carga em brigas de bar e xingamentos sem sentido.
Patty, seu sobrinho, interpretado por Lucas Hedges, tem uma atuação muito peculiar deixando seu personagem com um ar doce e maduro ao mesmo tempo. Um adolescente forte, que lida com a precoce perda do pai de uma forma inesperada, de modo que estava esperando confusões propositais no colégio, drogas,bebedeiras e promiscuidade. É fácil de simpatizar.


O filme se constrói com o tempo presente e flashbacks do passado feliz de Lee com toda a sua família e, com o desenrolar da trama, descobre-se o motivo de sua profunda tristeza. A ESPETACULAR trilha sonora auxilia em trasmitir essa melancolia para o telespectador, com muitas faixas conhecidas, ainda mais pelos apreciadores de música clássica. (Tem no Spotify e nesse blog maravilhoso >> http://www.musicontherun.net/2017/01/trilha-sonora-manchester-a-beira-mar-lesley-barber.html)


Para mim, o oscar de melhor ator para Cassey foi super justo. Lee tem uma personalidade reclusa onde não pretende demonstrar seus sentimentos, porém tudo em demasia sempre transborda nos olhos(os olhos são o espelho da alma,né não?), e falsificar isso em frente à câmera foi impressionante! Seu olhar refletia alguém que se arrastava por toda e qualquer situação da vida, onde tudo era pesado e complicado, uma sensação de desconforto reprimido à quatro paredes.

Esse seu estado psíquico me fez lembrar das pinturas de Edward Munch, particularmente seu auto retrato e "o Grito". A primeira pintura remete a um homem encomodado, com um olhar questionador, como se tivesse tido a suspeita de uma assombração. Já na segunda, o personagem retratado explode e transmite abertamente seus sentimentos. Assim, na primeira parte do filme, Lee ainda é o homem do auto retrato, enquanto na segunda parte ele muda sua postura para o homem pintado por Munch.

   THAT'S ALL FOLKS.






                           Sem introdução. Vamos logo com isso:



6.   Viola Davis ganha na categoria Melhor Atriz coadjuvante

   A Rainha de How to Get Away with Murder, Deusa suprema de toda a sétima arte, ganha sua primeira estatueta por seu trabalho em Fences ao lado de Denzel Washington. Com um discurso poderoso, Viola aceitou o prêmio deixando todos os seus apreciadores emocionados.

  "As pessoas me perguntam: Que tipo de histórias você quer contar,Viola?
E eu digo: quero trazer à tona esses corpos, essas histórias...histórias de pessoas que sonham grande e nunca viram esses sonhos se consolidarem. De pessoas que se apaixonam, que perdem. Eu me tornei uma atriz, e graças a Deus que me tornei, por que nós somos a única profissão que celebra o que é viver uma vida. Isso vai para August Wilson que trouxe à tona e exaltou as pessoas comuns"

5. Emma Stone ganha na categoria Melhor Atriz 
 
A atriz levou a estatueta por seu trabalho em La La Land, depois de receber diversos outros prêmios como o Globo de Ouro. A atriz concorreu com Meryl Streep (Florence quem é essa Mulher?) Natalie Portman, Ruth Negga e Isabelle Huppert( que deveria ter ganho. Ainda tô chorando), por Elle

4. Jimmy Kimmel e os turistas

O apresentador reuniu um grupo de turistas para entrarem na cerimônia fazendo-os pensar que estavam prestes a ver uma exposição. Todos ficaram chocados ao adetrarem o salão e verem o grandioso evento. Ryan Gosling levantou e deu beijo, todo mundo tirou selfie, apertaram a mão de todo mundo da primeira fileira. Se tivessem feito isso comigo, eu pulava no colo da Meryl Streep e não saia nunca mais.

3. Jimmy Kimmel e Donald Trump

O Oscar sempre foi um evento politizado. Cada ano possui uma abordagem, e com a edição de 2017 não podia ser diferente.
O apresentador Jimmy Kimmel twitou para o presidente dos EUA diretamente de seu celular que foi exposto no telão, depois de perceber que já tinham se passado 2 horas de premiação e Trump não tinha se pronunciado. Em 5 minutos, o apresentador alcançou 100K de retweets.


2.  Carro de De volta para o futuro reaparece

O ator Michael J. Fox entrou com Seth Rogen no famoso Delorean. Seth ainda estava com as botas do filme. Momento nostálgico e muito feliz para os fãs da trilogia.


 1. ERA LA LA LAND. MAS AGORA É MOONLIGHT

 O furo da noite para a acadêmia. O assunto da semana para os mortais. A risada de 30 minutos dos expectadores. O momento eternizado nos corações cinéfilos.
 Anunciaram como vencedor de Melhor Filme La La Land. Todos ficaram emocionados. Diretor, atores e the crew subiram no palco e o discurso foi feito. De repente, um rebuliço inicia-se atrás e Jordan Horowitz vai ao microfone se pronunciar quanto ao erro: O real vencedor era Moonlight.
 Os envolopes foram trocados, de modo que o que estava escrito no primeiro era "Emma Stone- La La Land", ou seja, o prêmio anterior.








Uma temática repetitiva: "ah, mais um filme de superação ou mais um filme sobre racismo". Para quem não viu e só assistiu ao trailer, poderia pensar que seria mais do mesmo, porém Estrelas Além do Tempo ultrapassou a barreira da mediocridade e ficou nos holofotes ao ser indicado ao Oscar.

Concorrendo à melhor filme , Hidden Figures (Figuras Ocultas tradução livre), traz em seu foco narrativo a historia de três mulheres negras nos bastidores da NASA na década de 60. Logo pode-se remeter a temática de "Selma" ou "Crash"(recomendo ambos para serem vistos), porém a película vai além disso. 
Mais parecido com "Histórias Cruzadas", Estrelas Além do Tempo traz em seu roteiro uma narrativa leve, sem esteriótipos, mostrando realidades sem explorar as imagens. Nisso ele supera seu companheiro e antecessor, uma vez que não forçou ideias nas relações entre os personagens. O roteiro de forma sutil mostrou uma realidade muito sofrida pelos negros norte americanos, de forma espetacular. Um exemplo claro é uma cena dos  banheiros separados para as raças, assim como a dificuldade de promoção para negros.





Interessante destacar que mesmo sendo um filme baseado em fatos reais, a condução do diretor e do roteirista foi extremamente simples, com diálogos elaborados, momentos bem dosados tomados de drama e humor. Os personagens foram bem desenvolvidos, com motivações e emoções verossímeis , com destaque para Dorothy Vaughn uma das pioneiras na informatica da Nasa interpretada pela indicada ao Oscar e incrível Octavia Spencer, que trouxe muitos alívios cômicos à trama.


Vale também ressaltar o elenco de peso do filme que contou com Taraji P. Henson como a protagonista Katherine Johnson ,Janelle Monáe como Mary Jackson e para o meu espanto Jim Parsons (o Sheldon de “The Big Bang Theory”), que vive um cientista super sério e racista. 

O fato é que apesar de uma temática repetitiva, Estrelas Além do Tempo trata de forma bem humorada, e ao mesmo tempo dramática,  assuntos sempre necessários para catarse. Com uma direção muito bem realizada Theodore Melfi mostrou de forma dinâmica , muito superior a Histórias Cruzadas, o quão importante foram os papéis de três figuras ocultas na história da humanidade. Assim, muito justa a indicação à estatueta de melhor filme.


































Mais uma adaptação dos contos de Edgar Allan Poe para o cinema! Depois da aclamada série The Following, possuímos a mais nova abordagem de seus contos! Entretanto, dessa vez nos deparamos com uma animação que narra os principais contos do autor, assim como discute seu envolvimento com a morte.

Já foram lançadas diversas adaptações, principalmente de O Corvo. Uma delas é do famoso produtor/diretor Tim Burton, lançada em 1982 (https://www.youtube.com/watch?v=5s85a-fAwaI )
A abordagem aqui, entretanto, é diferenciada, umas vez que cada conto possui seu prório narrador, roteirista e estilo! Os amantes de desenho poderão apreciar diversos tipos de técnicas: modelo também utilizado na animação O Pequeno Príncipe (2015), que é um deleite para os olhos, como o stop motion, desenho,papel, etc. A trilha sonora também contribui para a apreciação da obra,além de narradores icônicos, tais como Christofer Lee, Bela Lugosi e Guilhermo Del Toro.

Além de expor os principais trabalhos do autor, como O coração Revelador, A queda da casa de Usher e O estranho caso do Senhor Waldemar; no intervalo de cada conto há uma singela pausa para debates entre A Morte e Edgar- sendo representado por um corvo- todos eles sobre como ela o fascína e numerosas tentativas de fazê-lo entrar em seu "abraço". Além disso, tais cenas remetem para alguns fatos da vida pessoal de Poe, como as mulheres que sua amiga morte levou. Pode-se reconhecer,por exemplo, o nome de Vírginia, sua esposa que morreu aos 24 anos de tuberculose e outras, como sua mãe e outras amantes.

São diálogos filosóficos travados em um cemitério que misturam a paixão do autor pela arte com o pensamento mórbido da vida. Logo que Edgar expressa o amor pelo seu trabalho, veio a minha cabeça o trecho "I am spelled by art"- Eu sou soletrado(feito) pela arte de To Miss Louise Olivia Hunter, que melhor transmite esse sentimento. Tais cenas ficam mais interessantes quando se sabe um pouco mais sobre vida do autor, assim consegue-se entender mais referências e tentar compreender seus sentimentos.

É tudo o que tenho a declarar de tal maravilhosa animação. Esta precisa ser vista e apreciada para melhor entender tamanha felicidade ao vê-la.








Não é de hoje que a vida real inspira as produções cinematográficas originando  filmes biográficos dos mais variados, muito deles baseados Best Sellers como o caso de "O Lobo de Wall Street" ou com roteiros feitos do zero como "Spotlight - Segredos Revelados" . 

 O real causa tanta curiosidade e fascínio nas pessoas que recentemente passou a integrar a programação de séries. Cada dia que passa novas séries baseadas em fatos reais surgem. Assim foi idealizado "American Crime Story". Uma série com uma proposta ousada: trazer para as TV's as histórias por traz dos processos criminais mais famosos dos Estados Unidos.


Exatamente no foco da primeira temporada, constituída de 10 episódios de cerca de uma hora, vemos o famoso "julgamento do século": o  caso "The People v. OJ Simpson". Um crime de assassinato em que o principal suspeito foi a celebridade e ex jogador de futebol americano OJ Simpson. Acusado de matar sua ex-mulher, a estrela de alguns filmes na época foi protagonista da perseguição policial mais famosa dos anos 90. Interessante trazer esse feedback, pois a série resolve esses momentos logo nos primeiros episódios.

Também é possível observar que paralelo ao crime central tratado, o roteiro traz curiosidades de pessoas icônicas envolvidas, assim como tramas e debates passíveis de observação, como a relação dos advogados ou mesmo dos réus. American Crime Story não trata apenas de um crime e sim, de vidas humanas entrelaçadas por ele.


   Os verdadeiros promotores do caso.




Partindo da acusação a genialidade do roteiro, baseado no livro "The Run of His Life: The People v. O. J. Simpson", trás não apenas um dos julgamentos mais longos da história norte americana mas trata das histórias dos coadjuvantes, assim como seus dilemas. Como a promotora Marcia Clark, que foi zombada, criticada e até desmerecida por sua postura no julgamento, além de sua forma de se vestir; e do promotor assistente Christopher Darden, que também foi rechaçado e acusado pelo povo por ser negro e, supostamente, ter se voltado contra seus irmãos de raça.


Time dos sonhos retratado na série
Toda essa tenção sobre a promotoria foi provocada pelo então considerado "time dos sonhos ", liderados pelo advogado Johnnie Cochran, que defendia OJ e que transformou o julgamento de assassinato em um caso explicito de racismo das autoridades ,causando comoção nacional , que supostamente indiciavam Simpson por incentivo de uma policia racista que supostamente plantou provas para incriminá-lo.
    


OJ experimentando a luva que teria usado na noite do crime
A verdade é que os fatos relatados na série, muito conhecidos pelos Estado-unidenses, foi ilustrado de forma espetacular. Além de trazer debates como racismo, movimento negro, sexismo entre outros sub-textos no roteiro. A montagem dos personagens com figurinos extremamente similares a realidade, atores muito semelhantes aos personagens da vida real e excepcionalmente a atuação  que dispensa comentários de Sarah Paulson e Sterling K. Brown (premiado pelo SAG awards na categoria melhor ator coadjuvante), por trazerem a carga emocional as telas.





A mesma luva representada na série
Como já dito , a série traz diversos sub-textos no roteiro como o racismo, muito explorado pela defesa para salvar OJ do corredor da morte.Mas também o jogo de interesses dos advogados para defenderem um caso tão famoso ,simplesmente para obterem fama; assim como o preconceito que acontece internamente entre os negros; e para mim, o assunto ápice: o sexismo praticado sobre a promotora de forma a afetar diretamente as atitudes da personagem.








Também vale destacar uma observação muito curiosa em relação a série. Normalmente produções de vídeo existem tonalidades na imagem que revelam sobre o universo retratado, que normalmente permanecem ao longo de toda a produção,como na série "Hannibal" com um tom esverdeado. Ambientando o tom sombrio envolto de mortes sucessivas.

                                                                   Cena da série Hannibal


Em American Crime Story não existe uma cor predominante colocada na edição. A cada núcleo mostrado independente é possível diferentes tons como no caso da promotoria que foi adicionado um tom azulado, mostrando mais frieza e racionalidade. Paralelamente a isso a defesa de OJ possui um tom mais amarelado ambientando o discurso mais emotivo e calourado para livrar o réu. Observe:

                                                                                Promotoria


                                                                        Defesa
                                                       

Sarah Paulson e Sterling K. Brown como os promotores




O desfecho da série: o muito conhecido OJ Simpson é absolvido devido a comoção em que o país se envolveu. Todos os envolvidos com o "julgamento do século " tiveram seus efeitos colaterais e nós espectadores,mais uma vez, ficamos pasmos com essa novela escrita pela vida.

















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Marcia Clark e Christopher Darden os promotores




Quando se tem um filme com o meu ator favorito (Hugh Grant), uma das melhores atrizes da atualidade, Meryl Streep, e o fofo do Silmon Helberg, já era de se esperar que eu apenas tivesse lindas palavras para descrevê-lo. E eu, de fato, as tenho.

A obra foi baseada em uma história real. Florence era uma socialite que teve o seu primeiro contato com a música quando, ainda na infância, iniciou aulas particulares de piano. Casou-se aos 15 anos com seu primeiro marido de quem contrai sífilis, doença ainda sem cura na época, e alguns anos depois de se divorciar, conhece St. Clair por quem se apaixona e casa-se pela segunda vez. Com uma vida marcada pela filantropia, Florence,então, decide seguir a carreira de cantora lírica, mesmo nunca tendo aptidão para tal e contrariando tudo e a todos.

No filme, Floresce é protagonizada como uma mulher muito amável, alegre e excêntrica, que vive um dia após o outro com todas as suas energias. Sua felicidade em viver em um mundo cercado por música contagia a todos, e sua energia é tão positiva que danificá-la causaria uma comoção sem limites. Pelo menos, essa foi a forma que me senti quando Floresce pede ao seu marido,St. Clair, que contrate um pianista e um professor de canto para ensinar-lhe canto lírico. Como negar algo a alguém tão dócil? Como dizer "não" à paixão verdadeira de alguém? Como tirar o mais sincero brilho dos olhos de alguém, sabendo que se não o fizer, isso será a ruína do outro? Não sei como...

E se não fosse pelo seu MARAVILHOSO networking, Florence iria se frustrar(isso é obvio). Esse filme é a representação de que se você possui um bom relacionamento com os seu "contatos", mesmo você sendo uma péssima cantora, poderá acabar cantando no Carnegie Hall(eita lugar bonito,viu?), gravar um CD e ser elogiada por todos os seus amigos. A hipocrisia é discutida amplamente nesse filme.

Quem interpreta com maestria todas as reações ao ouvir as cantorias de Florence é o FABULOSO Silmon Helberg que conseguiu expremir de forma caricata tudo o que eu estava pensando no momento. Ele é a personificação do telespectador dentro do filme: Ele ri e julga Floresce do início ao fim, ele faz as perguntas que todos queremos fazer, e o mais importante...nos faz rolar de rir com suas caras e bocas.

Ele interpreta o novato pianista que Florence contrata para ajudá-la em suas aula de canto e, se torna o alívio cômico. A comédia é bem sutil (além de Florence já ser a comédia em si), como se os fatos engraçados fossem idênticos aos reais. Sabe aquela coisa boba que nos faz rir no cotidiano: o rosto de alguém, algo mal ouvido ou mal falado? Pois não, consegui relacionar esses momentos da minha vida com a sua hilária e sutil performance.

E,agora, o que dizer sobre o feito de Florence?  No início achei que seu sucesso foi resultado de bons contatos e, obviamente, devido a St. Clair que era totalmente devoto a realizar seus sonhos e desejos. Com o desenrolar da trama, passei a achar que sua fama vinha do sentimento de pena de terceiros: "Tadinha dela...está senil, deixa eu elogiá-la para ver se ela melhora" e, no final tirei minha conclusão: todos estavam ali, realmente, por ela, porém não da forma esperada. O público queria rir dela, a achava fora da normalidade. Uma hipocrisia fora do normal.

Conclusão:

O filme é divertido,leve e crítico. Os adoradores da estética amarão os figurinos glamourosos, a paleta de cores e o cenário da casa de Florence que, aliás pode-se fazer um post só sobre como os quadros são organizados, as mesas e cadeiras espalhadas, o gosto pela mistura de textura...Ah, muitos detalhes para serem apreciados!




                                                              Apenas uma nota




Não consegui assistir Neddless things-Trocas Macabras por completo, uma vez que não possuo nenhuma atração por esse estilo de filme, muito menos por Stephen King. Entretanto, um única cena junto com o seu conceito, me chamaram a atenção.
   Antes de tudo, deixe-me mostrar a sinopse:
Castle Rock, na Nova Inglaterra, é um lugar tranquilo para se viver. Mas a chegada de Leland Gaunt (Max von Sydow), um ser diabólico literalmente falando, desestabiliza a cidade através do preconceito, ódio, fraqueza e cobiça, provocando mortes e sofrimentos. Gaunt consegue isto através de uma loja de utilidades, que sempre tem algo especial para cada morador da cidade, que para conseguirem o que desejam pagam um preço simbólico e prestam um "favor" para Leland.        (retirado de filmow)


Pois não. Leland Gaunt, logo em sua primeira aparição, oferece a um menino, que acaba de adentrar sua loja por pura curiosidade, uma figurinha de um jogador de baseball e assim que este o pega, o fulgor do momento e todo o jogo passam por sua mente.  Isto o faz tentar  levar a figurinha de imediato, juntando todas as moedas em seu bolso e oferecendo ao negociante. Obviamente, as imagens que passavam pela cabeça do menino significavam algo para ele, seja por já haver presenciado um jogo de baseball ou por assisti-lo na tv. O que importa nessa cena é como a sensação de nostalgia é influente em nossas vidas. Muitas vezes não só a nostalgia em si, mas a experiência do momento: seja ele passado ou futuro.


Leland Gaunt (Max Von Sydow)
 O filme Total Recall (1990) estreiado por Arnold Schwarzenegger, precisei do google para escrever, já aborda esse fato quando o personagem Douglas, sonhando em viajar para Marte, contacta uma companhia que implanta a lembrança da viagem em seus clientes sem eles mesmo terem ido ao planeta vermelho. Isso só reforça como as experiencias e lembranças são importantes. O próprio parque de diversão Walt Disney explora isso com maestria, ao ponto de lançarem cursos para entender a filosofia(valores) por trás desse negócio. Não é nada difícil de se entender: O parque brinca com nossos sentimentos da infância; trás para o mundo real todos os personagens que sonhávamos em conhecer, entretanto, não compramos pacotes de viajem para só conhecê-los, o fazemos só ao imaginar como será vivenciar tudo aquilo, ou seja, almejamos uma experiêcia futura.

Poster do filme de 1990


 E é isso que empresas como Starbucks fazem conosco. Eles estão além de um simples expresso ( que meu deus do céu é bom de mais,socorro),  eles nos oferecem uma tranquilizante experiência com a tentativa de criar um ambiente confortável e, considerados por muitos hippester, com uma luz ambiente escura, Jazz nas caixas de som, cadeiras de madeira e decoração minimalista: típica de cafeterias. Eles tentam chamar seus clientes não apenas para um café, mas para trabalhar, conversar com os amigos e escrever, tanto que muitas vezes opto por tomar meu expresso nesse local só por relembrar as maravilhosas sensações que já vivi lá, ou seja, eles proporcionam, mais uma vez, a nostalgia de algo bom e reconfortante.

 Conclusão: já se ultrapassou a época em que exigia-se o produto em si ou o serviço, atualmente vende-se experiências, sejam elas futuras (Starbucks) ou passadas(Leland Gaunt).













                      Personagens carismáticos, interessantes e normais como todos nós.

Qualquer um que já passou por algum relacionamento amoroso, seja ele longo ou aquele que não passou nem da fase "vamos nos conhecer melhor", vai não só se identificar, como sentirá suas emoções expostas no filme. É uma homenagem aos eternos amores.

O casal se conhece em uma estação de trem. Ela é parisiense e ele é novaiorquino. Logo me veio à lembrança "Brilho eterno de uma mente sem lembrança", onde nossos protagonistas também se encontram pela "primeira vez" na estação de trem ( Se você já viu essa fantástica obra, entenderá por que PRIMEIRA VEZ está entre aspas).

A película foi feita em 2001 e acredito que seu enredo será atemporal, principalmente por se tratar de sentimentos. Quem já teve a sorte de ficar tão feliz a pensar "Eu poderia morrer agora" considero a pessoa mais sortuda do mundo. Isso se relaciona com a mais completa satisfação, a verdadeira satisfação de estar aonde se está e apreciar com quem se está.

Quando Jesse(Ethan Hawke) e Celine(Julie Delpy) estão deitados na grama olhando para as estrelas, ela conta como se sentia em outros momentos: Ela já tinha ido a lugares maravilhosos com pessoas também maravilhosas, onde compartilharam fatos inesquecíveis. Entretanto, se ela fosse honesta consigo, ela não desejaria estar lá, pelo fato de que ninguém ali a entendia ou estava disposto a fazê-lo e, além do mais, nem ela estava feliz com ela mesma. Nós enjoamos de nós mesmos, e por isso chegamos ao ponto de não suportar outras pessoas, não por elas em si, mas por que sabemos exatamente como iremos reagir ao seu redor, e isso cria insatisfação. É apenas por isso, que queremos ter um grande círculo social, pois somos tão incompetentes, que precisamos que terceiros nos estimulem a fazer algo que não seja previsível.

E foi isto, na minha percepção, o que o longa quis demonstrar. Jesse e Celine estavam satisfeitos com eles mesmos, não pelo fato de serem quem eram, mas por se permitirem a viver aquilo juntos. Além do mais, a relação entre eles construída, foi baseada na inclinação de conhecer um ao outro e: quem não gosta de querer falar e saber que não se quer só ser ouvido, como também se quer participar dos delírios e sonhos de terceiros?

Ainda sobre conhecer as pessoas; Jesse observa como alguns casais vão se desgastando e consequentemente se odiando a medida que passam a saber os costumes do parceiro e,assim, conseguem prever cada movimento. Nessa hora, não pude discordar mais! A medida que conheço as pessoas, mas vou gostando delas. Saber como elas irão reagir a determinado fato é um privilégio para mim! Acho que isso forma laços e intimidade e, paradoxalmente, começo a achá-la muito mais interessante. E FOI EXATAMENTE COM ISSO QUE ELA REBATE O ARGUMENTO DE JESSIE.
Ela fala que ao saber todas as suas manias, rotinas e gostos.....Só assim ela saberia que estaria realmente apaixonada e, bom....Eu não poderia concordar mais! Todos nós fazemos isso! Todos temos pessoas que amamos mais e aquelas que são indiferentes para nós. Adivinha de qual das duas que lembramos os detalhes? As histórias? Os gostos? A cor favorita? A piadinha sem graça? Porém, gradualmente vamos confundindo esse fato com costume: "Ah, já estou acostumado com ele". Não, você não está. Você está amando ( não precisa ser no sentido de romântico)

Saí com um amigo na quinta feira ( 26/01) e acho que com isso consigo exemplificar o parágrafo a cima. Tínhamos saído poucas vezes juntos, porém eu prestara atenção em tudo o que ele me contava. Quando saímos novamente, eu já conseguia prever o que ele iria comentar com cada coisa que eu falava. Um exemplo foi quando falei sobre como me comportei em um antigo relacionamento. Logo que terminei, pensei "Ele irá dizer que sou fria, vai achar tudo isso horrível, vai me "zuar" e achar que todas são assim". Bingo!
Isso não uma única vez, mas várias! E a cada momento que eu conseguia "decifrá-lo", mais eu notava em como eu gostava de sua presença. Até por que,cá entre nós, se eu não gostasse eu já teria revirado os olhos e ido embora.
FIM.
ESSA FOI APENAS A PRIMEIRA PARTE, JÁ QUE ESSE FILME É UMA TRILOGIA

OBS: Ótimo vídeo sobre o filme -----> https://www.youtube.com/watch?v=ssVsOYStgYU



  PERTUBADOR. Não há melhor palavra que descreva essa obra. SURPREENDENTE também pode ser usada, mas de um modo peculiar já que esse filme é tudo, menos ordinário.

  O longa inicia com Michèle (a MARAVILHOSA Isabelle Huppert, que aliás está indicada ao Oscar 2017 de melhor atriz), uma executiva de uma empresa de videogames, sendo violentada em sua casa por um misterioso homem encapuzado. A história,então, é desenvolvida a partir desse horrendo fato, mostrando como a protagonista lidará com a invasão de seu corpo e a busca para detectar o invasor.

  E é logo depois da cena de abertura que você já se surpreende! Nos filmes habituais, já podemos esperar uma protagonista fragilizada onde perde a confiança em todos. É de se esperar que sua vida sexual não seja a mesma e qualquer insinuação ao sexo já provocaria ojeriza e traria à tona a lembrança do estupro. Entretanto, é nesse ponto que tudo começa a ser ímpar. Michèle não é qualquer mulher, é a nossa bitch favorita. O sexo para ela é levado como diversão, sendo que nos faz pensar que o traumático acontecimento não passou de um simples crime, onde nem ir a polícia ela queria.


  Esse é um fato interessante. Foi o único aspecto previsível que eu achei, pois,NO INÍCIO pensei que Michèle estaria com vergonha de se reportar a polícia devido a seu status e poder. Como aqui nada é simplório, no desenrolar notamos que há motivos muito bem claros para isso- seu pai está em julgamento para liberdade de uma série de assassinatos cometidos, onde ela, na sua inocência juvenil o teria ajudado. O mais interessante, é que essa mulher não faz quase nada para agradar os que estão ao seu redor. Por exemplo:
   1) Michèle não irá à polícia, pois acha que o caso de estupro pode atrapalhar o julgamento de seu pai? NÃO. Ela não vai por que não quer chamar atenção novamente e isso é valorizado mais do que qualquer outro fato.
   2) Ela conta abertamente em um jantar com amigos que ela foi estuprada. Se ela teve alguma vergonha ou medo de alguém julgá-la? Não. Ela só quer compartilhar e contar a alguém para se sentir melhor. Simples assim.
   3) Ela deixa isso abalar sua vida sexual? NÃO. Ela continua querendo se divertir.
   4) Ela desconta a dor psicológica do estupro em alguém ou em algum fato da sua vida? No filho, no ex marido, na amiga? NÃO. Ela prefere guardar para si mesma.
   5) Ela se vê como vítima? SIM e por esse motivo, começa a praticar aulas de tiro e compra um pequeno machado, junto com um spray de pimenta.

  Estamos aqui falando de uma mulher extremamente forte e dona de si. Fiquei 80% do filme me perguntando mentalmente "Como é que ela consegue?" e nesse ponto, notei que a fragilizada era eu que estava desgastada psicologicamente desde a primeira cena. Passei a maior parte do tempo indagando em como esse filme era grotesco. A sensação de mal estar e completo desconforto com a maneira de Michèle lidar com a situação só me mostrou uma coisa: QUE OBRA MARAVILHOSA.
É tão comum a indústria colocar a mulher de forma fraca e sensível que me peguei julgando-a por ser forte e resiliente. Eu a descrevia como "uma mulher louca, impossível de se encontrar na realidade. Não tem um pingo de verossimilhança", quando ela era exatamente o oposto.


  Se o longa consegue fazer com que você se transporte para o enredo, de forma que você conviva com o personagem e o sinta, ele já está realizando algumas de suas funções: escapismo e introspecção. Mesmo assistindo sozinha, me peguei envergonhada junto com a protagonista quando esta recebe um vídeo montado, onde ela também é violentada. Não só me coloquei em seu lugar como mulher,mas como vítima, e uma sensação de raiva divida espaço quando notei que não teria como punir alguém de imediato- Sabe quando não há ninguém para por a culpa, e exatamente por isso você descarrega no primeiro que passa? Eu, mera mortal, reagiria dessa forma, porém Michèle segue em frente, investiga o caso e descobre o culpado. O que ela faz? Apenas tenta verificar se esse funcionário foi o mesmo que a violentou. Vendo que suas suspeitas estavam incorretas, ela apenas segue com sua vida.

Melhor exemplo de "move on" e força.


FIM.

  Lembrando que isso são apenas devaneios, sem nenhum embasamento profissional, apenas meu ponto de vista.








"WHERE'S THE FUCKING MONEY?". Essa foi a frase mais marcante e hilária de todo o filme. Sempre - acreditem, sempre!- quis parar um estranho na rua, fazer-lhe essa pergunta e esperar pela resposta; exatamente como Dell sugere. Para uma pessoa extremamente introvertida como eu, isso seria o desafio de uma vida inteira, porém valeria a audácia e coragem necessária para fazê-lo.

O que me fez querer assistir ao filme foi o seu poster. O formato das letras, o tom, a forma dos atores, as árvores ao fundo; achei tudo muito cativante e bonito.Logo em seguida, fui ler a sinopse e vi algo sobre "universo paralelo"; fiquei animada por se tratar desse gênero e por ter romance envolvido - (meio parecido com A origem, apesar de que ali era sonho,né? Bom...mas não deixa de ser universo paralelo. Não, ali é dentro do sonhos das pessoas...isso não é universo). ENFIM. Fiquei esperando a parte do universo paralelo até o final. Talvez não tenha entendido o filme...

 Durante conversas com minha amiga, recordo-me que ela acharia melhor que o filme expusesse um motivo ecológico para viagem de 5000 passageiros,entretanto foi o aspecto que mais gostei. Filmes como Tomorrow Land, que quase apontam o dedo na sua cara dizendo "você não pode fazer isso. Tá vendo o que você fez? mimimi", já passaram da conta; não por seu tema, mas pela raza forma que é abordado, apresentando diversos aspectos vastamente conhecidos pelo público, sem aprofundá-los. Passageiros não faz isso, pelo contrário, o motivo pelo qual eles estão ali é quase insignificante, pois o que é debatido no filme é a solidão e egoísmo humano que são perfeitamente resumidos no diálogo entre Jim e Gus, onde este tenta achar um motivo para Jim ter acordado Aurora e, mesmo Gus sabendo dos motivos fala: "Still....DAMN"

  Outro aspecto que gostei foi relacionado ao empowerment das protagonistas atualmente. O que muitas das vezes vejo, acaba sendo algo forçado, sem construção, sem argumentos para tornar a protagonista forte e/ou destemida...ela apenas é. Acho muito difícil alguém simplesmnte ser, acredito que há um motivo por trás de toda nossa personalidade. VOLTANDO AO ASSUNTO, nesse filme eu vi um auxílio mútuo, um verdadeiro companherismo quando Jim se sacrifica por Aurora e essa o salva; não simplesmente uma forçada cena em que " a mulher salva o homem por que precisamos mais disso no cinema". NÃO! Precisamos é de uma troca, de um apoio entre os dois lados; e nisso esse filme acertou.

  FIM DA PARTE 2

Talvez pelo fato de não estar tão inspirada, esse post tornou-se uma pequena nota.

 

  Quando se mantém uma baixa expectativa sobre algo, a chance de ser impressionado é multiplicada. Foi o que aconteceu comigo até a segunda parte de "Passageiros", onde esperava um filme raso que basearia sua bilheteira nos populares atores escalados, sem muito o que se comentar e/ou debater.
  Em minha mente, o organizei em três partes: A primeira, onde a história do protagonista(Jim) é apresentada junto com o seu contexto. A segunda, o desenvolvimento da relação entre Aurora e Jim e, finalmente, a terceira: a descoberta das falhas no sistema e suas eventuais consequências.


   Logo a primeira coisa que notei quando Jim desperta da sua hibernação, foi o fato dele, imediatamente, conseguir andar. Ele ficou 30 anos sem se movimentar, como isso seria possível? Recordo que em "Kill Bill", Beatrix fica meses em coma e para fugir do hospital ela se rasteja e fica horas tentando mexer o dedão do pé, no famoso carro "Pussy Wagon". Entretanto, um amigo meu observou que a câmara onde o Jim estava foi construída para estimulá-lo enquanto hibernava. (Eu não sei aonde eu estava nessa parte do filme, por que eu não entendi nada disso.)

   Não sei se estou delirando muito,mas pelo trailer, já sabia que Aurora iria despertar, portanto logo que vi Jim acordar e ficar extremamente solitário na nave me  lembrei da passagem bíblica de Adão e Eva, onde Eva é criada por Deus,pois Adão estaria se sentindo muito solitário. Para mim, logo nos minutos iniciais, o filme seria a versão "2.0" dessa passagem, porém quem cria a companheira de Adão é o próprio Adão, representando a total independência do ser humano e seu desenvolvimento. Não acredito nisso,entretanto foi apenas uma forma de interpretação.

   Outra coisa que me chamou muita atenção, foi a conversa entre o robô-barman e Jim. Vi nitidamente as falas de "O clube da luta" naquela conversa, quando Jim começa a se lamentar sobre o que poderia ter acontecido- ele acordar 90 anos depois na nova colônia,sem ter que passar por tudo isso. Na mesma hora, o barman fala algo relacionado à "Por que pensar no que poderia ter acontecido? Isso retira o prazer e a totalidade do presente. Por que focar naquilo que não se pode controlar?" . Na mesma hora lembrei de " STOP TO CONTROL EVERYTHING AND JUST LET IT GO. LET IT GO!"- Clube da Luta


   Agora vamos para quando Jim fica no impasse de acordar Aurora:  Adorei todas as cenas relacionadas a incerteza do seu pensamento. A trilha sonora, aliás contribuiu muito bem para isso! Porém, se no trailer não mostrasse que Aurora acordava, teria ficado ótimo!  Eu senti a tensão da dúvida,mesmo sabendo que ele iria mexer naquela cápsula,imagina se não tivesse mostrado no trailer? Era mais fácil eu não ter visto...

    Segunda parte: Aurora acorda. Jim não está mais sozinho. Está óbvio que algo irá surgir entre eles, porém como? Gostei demais do desenvolvimento do casal. Os atores tem uma boa química,parecia real... Tão real que eu ficava com uma pena do Jim toda vez que eu lembrava que ele a acordara...E de alguma forma isso iria explodir.

        Parte 1 acaba por aqui.
        Lembrando que isso são apenas devaneios, sem nenhum embasamento profissional, apenas meu ponto de vista.
   
 
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