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Elle




  PERTUBADOR. Não há melhor palavra que descreva essa obra. SURPREENDENTE também pode ser usada, mas de um modo peculiar já que esse filme é tudo, menos ordinário.

  O longa inicia com Michèle (a MARAVILHOSA Isabelle Huppert, que aliás está indicada ao Oscar 2017 de melhor atriz), uma executiva de uma empresa de videogames, sendo violentada em sua casa por um misterioso homem encapuzado. A história,então, é desenvolvida a partir desse horrendo fato, mostrando como a protagonista lidará com a invasão de seu corpo e a busca para detectar o invasor.

  E é logo depois da cena de abertura que você já se surpreende! Nos filmes habituais, já podemos esperar uma protagonista fragilizada onde perde a confiança em todos. É de se esperar que sua vida sexual não seja a mesma e qualquer insinuação ao sexo já provocaria ojeriza e traria à tona a lembrança do estupro. Entretanto, é nesse ponto que tudo começa a ser ímpar. Michèle não é qualquer mulher, é a nossa bitch favorita. O sexo para ela é levado como diversão, sendo que nos faz pensar que o traumático acontecimento não passou de um simples crime, onde nem ir a polícia ela queria.


  Esse é um fato interessante. Foi o único aspecto previsível que eu achei, pois,NO INÍCIO pensei que Michèle estaria com vergonha de se reportar a polícia devido a seu status e poder. Como aqui nada é simplório, no desenrolar notamos que há motivos muito bem claros para isso- seu pai está em julgamento para liberdade de uma série de assassinatos cometidos, onde ela, na sua inocência juvenil o teria ajudado. O mais interessante, é que essa mulher não faz quase nada para agradar os que estão ao seu redor. Por exemplo:
   1) Michèle não irá à polícia, pois acha que o caso de estupro pode atrapalhar o julgamento de seu pai? NÃO. Ela não vai por que não quer chamar atenção novamente e isso é valorizado mais do que qualquer outro fato.
   2) Ela conta abertamente em um jantar com amigos que ela foi estuprada. Se ela teve alguma vergonha ou medo de alguém julgá-la? Não. Ela só quer compartilhar e contar a alguém para se sentir melhor. Simples assim.
   3) Ela deixa isso abalar sua vida sexual? NÃO. Ela continua querendo se divertir.
   4) Ela desconta a dor psicológica do estupro em alguém ou em algum fato da sua vida? No filho, no ex marido, na amiga? NÃO. Ela prefere guardar para si mesma.
   5) Ela se vê como vítima? SIM e por esse motivo, começa a praticar aulas de tiro e compra um pequeno machado, junto com um spray de pimenta.

  Estamos aqui falando de uma mulher extremamente forte e dona de si. Fiquei 80% do filme me perguntando mentalmente "Como é que ela consegue?" e nesse ponto, notei que a fragilizada era eu que estava desgastada psicologicamente desde a primeira cena. Passei a maior parte do tempo indagando em como esse filme era grotesco. A sensação de mal estar e completo desconforto com a maneira de Michèle lidar com a situação só me mostrou uma coisa: QUE OBRA MARAVILHOSA.
É tão comum a indústria colocar a mulher de forma fraca e sensível que me peguei julgando-a por ser forte e resiliente. Eu a descrevia como "uma mulher louca, impossível de se encontrar na realidade. Não tem um pingo de verossimilhança", quando ela era exatamente o oposto.


  Se o longa consegue fazer com que você se transporte para o enredo, de forma que você conviva com o personagem e o sinta, ele já está realizando algumas de suas funções: escapismo e introspecção. Mesmo assistindo sozinha, me peguei envergonhada junto com a protagonista quando esta recebe um vídeo montado, onde ela também é violentada. Não só me coloquei em seu lugar como mulher,mas como vítima, e uma sensação de raiva divida espaço quando notei que não teria como punir alguém de imediato- Sabe quando não há ninguém para por a culpa, e exatamente por isso você descarrega no primeiro que passa? Eu, mera mortal, reagiria dessa forma, porém Michèle segue em frente, investiga o caso e descobre o culpado. O que ela faz? Apenas tenta verificar se esse funcionário foi o mesmo que a violentou. Vendo que suas suspeitas estavam incorretas, ela apenas segue com sua vida.

Melhor exemplo de "move on" e força.


FIM.

  Lembrando que isso são apenas devaneios, sem nenhum embasamento profissional, apenas meu ponto de vista.






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