O que os curtas nos permitem sentir é indescritível. Em tão pouco tempo, consegue-se extrair diversas emoções que muitos filmes nem chegam perto. Listarei aqui,portanto, meus favoritos. Muitos deles possuem minha preferência por terem sido assistidos na infância e em fases marcantes da vida.

1. Para este curta eu não tenho nenhuma análise ou significado profundo. A história simplesmente me diverte de forma inexplicável. A única observação que faço é para o tamanho divertimento que o velhinho tem consigo mesmo. Quem teve uma infância um tanto quanto solitária irá, com certeza, se identificar. Eu,por exemplo, passei muitas horas inventando conversas e discussões onde eu interpretava vários papéis: emissor E receptor. 
   Meu primeiro contato com a animação foi na fita cassete de Vida de Insetos, onde me apaixonei a primeira vista. 



2. Mais um da Pixar? SIM SENHOR. Vencedor do Oscar de 2017 de melhor curta animado, Piper tem um  enredo bem simples e é um deleite para o olhos. Fiquei impressionada com a verossimilhança dos pelos do pássaro, além da própria paisagem e história muito bem humorada (e bonitinha que dói,gente. ai que fofura.)





3. Todos esses curtas tem relação com a minha vida pessoal. A arte não é uma via de mão única,correto? Precisa-se do apreciador para esta se concretizar como "arte" em si. Além disso, minha concepção de arte é a capacidade de se resumir o pensamento com maestria, seja por meio de filmes,curtas,quadros,esculturas(se pensar assim, arte é algo muito dificil de se fazer), portanto a terceira posição fica para Alarm. Traduz,perfeitamente, o que uma pessoa péssima em acordar vive diariamente.

4. AGORA É CURTA BRASILEIRO. A Ilha é um dos mais engraçados que já assisti. Como no primeiro, não possuo nenhuma análise: é puro entreterimento.


5. Pearl é o curta animado indicado ao Oscar 2017, porém perdeu para Piper. O sua peculiaridade é a visão em 360 que ele permite e,garanto, isso faz muita diferença quando assitido. A história me tocou bastante, de modo que trata da evolução do relacionamento de pai e filha criando um ambiente extremamente nostálgico (nostálgia é comigo mesmo.)

BÔNUS:  

Já que estamos falando sobre relacionamentos, Escolhas da vida merece participação. Nesse maravilhoso curta, o sentimento de preenchimento e mudança por meio de quem amamos é abordado de forma muito sincera e verídica.(dá aquele quentinho no coração,sabe?)













Resumão: Lee Chandler (Casey Affleck) é forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente após o pai (Kyle Chandler) do rapaz, seu irmão, falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes.

"Eu não consigo superar". Frase que melhor resume o estado mental do protagonista Lee Chandler, interpretado pelo irmão mais novo de Been Affleck: Casey Affleck (sabia que eu conhecia essa cara de cachorro sem dono de algum lugar). O início do longa nos revela muito pouco sobre o decorrer da vida de Lee para sabermos o motivo de sua tristeza. Consegue-se perceber o esforço absurdo do personagem para seguir em frente encontrando,entretanto, apenas frustração. O esforço a qual me refiro é o psicológico, uma vez que Lee tem uma vida normal e "suficiente" trabalhando como faz-tudo em alguns predios, porém seu estado mental está completamente abalado, transbordando em seu olhar triste, pesado e decadente.

Casey consegue transmitir com louvor um homem contido em sua emoção que leva a vida de uma forma extremamente pesada, descontando a carga em brigas de bar e xingamentos sem sentido.
Patty, seu sobrinho, interpretado por Lucas Hedges, tem uma atuação muito peculiar deixando seu personagem com um ar doce e maduro ao mesmo tempo. Um adolescente forte, que lida com a precoce perda do pai de uma forma inesperada, de modo que estava esperando confusões propositais no colégio, drogas,bebedeiras e promiscuidade. É fácil de simpatizar.


O filme se constrói com o tempo presente e flashbacks do passado feliz de Lee com toda a sua família e, com o desenrolar da trama, descobre-se o motivo de sua profunda tristeza. A ESPETACULAR trilha sonora auxilia em trasmitir essa melancolia para o telespectador, com muitas faixas conhecidas, ainda mais pelos apreciadores de música clássica. (Tem no Spotify e nesse blog maravilhoso >> http://www.musicontherun.net/2017/01/trilha-sonora-manchester-a-beira-mar-lesley-barber.html)


Para mim, o oscar de melhor ator para Cassey foi super justo. Lee tem uma personalidade reclusa onde não pretende demonstrar seus sentimentos, porém tudo em demasia sempre transborda nos olhos(os olhos são o espelho da alma,né não?), e falsificar isso em frente à câmera foi impressionante! Seu olhar refletia alguém que se arrastava por toda e qualquer situação da vida, onde tudo era pesado e complicado, uma sensação de desconforto reprimido à quatro paredes.

Esse seu estado psíquico me fez lembrar das pinturas de Edward Munch, particularmente seu auto retrato e "o Grito". A primeira pintura remete a um homem encomodado, com um olhar questionador, como se tivesse tido a suspeita de uma assombração. Já na segunda, o personagem retratado explode e transmite abertamente seus sentimentos. Assim, na primeira parte do filme, Lee ainda é o homem do auto retrato, enquanto na segunda parte ele muda sua postura para o homem pintado por Munch.

   THAT'S ALL FOLKS.






 
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