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Manchester à Beira Mar



Resumão: Lee Chandler (Casey Affleck) é forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente após o pai (Kyle Chandler) do rapaz, seu irmão, falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes.

"Eu não consigo superar". Frase que melhor resume o estado mental do protagonista Lee Chandler, interpretado pelo irmão mais novo de Been Affleck: Casey Affleck (sabia que eu conhecia essa cara de cachorro sem dono de algum lugar). O início do longa nos revela muito pouco sobre o decorrer da vida de Lee para sabermos o motivo de sua tristeza. Consegue-se perceber o esforço absurdo do personagem para seguir em frente encontrando,entretanto, apenas frustração. O esforço a qual me refiro é o psicológico, uma vez que Lee tem uma vida normal e "suficiente" trabalhando como faz-tudo em alguns predios, porém seu estado mental está completamente abalado, transbordando em seu olhar triste, pesado e decadente.

Casey consegue transmitir com louvor um homem contido em sua emoção que leva a vida de uma forma extremamente pesada, descontando a carga em brigas de bar e xingamentos sem sentido.
Patty, seu sobrinho, interpretado por Lucas Hedges, tem uma atuação muito peculiar deixando seu personagem com um ar doce e maduro ao mesmo tempo. Um adolescente forte, que lida com a precoce perda do pai de uma forma inesperada, de modo que estava esperando confusões propositais no colégio, drogas,bebedeiras e promiscuidade. É fácil de simpatizar.


O filme se constrói com o tempo presente e flashbacks do passado feliz de Lee com toda a sua família e, com o desenrolar da trama, descobre-se o motivo de sua profunda tristeza. A ESPETACULAR trilha sonora auxilia em trasmitir essa melancolia para o telespectador, com muitas faixas conhecidas, ainda mais pelos apreciadores de música clássica. (Tem no Spotify e nesse blog maravilhoso >> http://www.musicontherun.net/2017/01/trilha-sonora-manchester-a-beira-mar-lesley-barber.html)


Para mim, o oscar de melhor ator para Cassey foi super justo. Lee tem uma personalidade reclusa onde não pretende demonstrar seus sentimentos, porém tudo em demasia sempre transborda nos olhos(os olhos são o espelho da alma,né não?), e falsificar isso em frente à câmera foi impressionante! Seu olhar refletia alguém que se arrastava por toda e qualquer situação da vida, onde tudo era pesado e complicado, uma sensação de desconforto reprimido à quatro paredes.

Esse seu estado psíquico me fez lembrar das pinturas de Edward Munch, particularmente seu auto retrato e "o Grito". A primeira pintura remete a um homem encomodado, com um olhar questionador, como se tivesse tido a suspeita de uma assombração. Já na segunda, o personagem retratado explode e transmite abertamente seus sentimentos. Assim, na primeira parte do filme, Lee ainda é o homem do auto retrato, enquanto na segunda parte ele muda sua postura para o homem pintado por Munch.

   THAT'S ALL FOLKS.






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