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COMET : Eu estava justamente pensando em você PARTE 1



"WHERE'S THE FUCKING MONEY?". Essa foi a frase mais marcante e hilária de todo o filme. Sempre - acreditem, sempre!- quis parar um estranho na rua, fazer-lhe essa pergunta e esperar pela resposta; exatamente como Dell sugere. Para uma pessoa extremamente introvertida como eu, isso seria o desafio de uma vida inteira, porém valeria a audácia e coragem necessária para fazê-lo.

O que me fez querer assistir ao filme foi o seu poster. O formato das letras, o tom, a forma dos atores, as árvores ao fundo; achei tudo muito cativante e bonito.Logo em seguida, fui ler a sinopse e vi algo sobre "universo paralelo"; fiquei animada por se tratar desse gênero e por ter romance envolvido - (meio parecido com A origem, apesar de que ali era sonho,né? Bom...mas não deixa de ser universo paralelo. Não, ali é dentro do sonhos das pessoas...isso não é universo). ENFIM. Fiquei esperando a parte do universo paralelo até o final. Talvez não tenha entendido o filme...


Comecei a assistir esperando um completo nó na minha cabeça, porém o que eu encontrei foi uma narrativa parecida com Amenésia, onde a história não segue uma linha cronológica fixa,ou seja, começa pelo meio e termina pelo início. O mais engraçado é o diálogo entre Dell e Kimberly  no hotel em Paris, onde esta começa a reclamar que o tempo é muito linear, tudo tem início, meio e fim; o cinema e a música, são tipos de artes baseados nele, diferentemente da Pintura que fica intacta, gostando mais desta do que todas as outras formas de artes.

Agora vamos falar da personalidade irritante, audaciosa e narcisista de Dell. Logo quando conhece Kimberly(Kim) ele confessa que não acredita no "amor", entretanto, no desenrolar da história o que consegui enxergar foi alguém desesperado por isso: alguém apaixonado, onde tudo queria compartilhar com sua amante, sabendo exatamente o que sentia, porém com um medo de errar em um nível que eu nunca vi. O que exemplifica isso são as frustrantes tentativas de pedir Kimberly em casamento, que por tanto hesitar, os dois entram em uma profunda discussão e o anel de noivado acaba na vaso sanitário.

Dell não conseguia vivenciar o presente. Ele tem a regra dos "5 minutos", onde sempre se concentra nos próximos minutos que estão por vir, sabendo que o agora acabará muito rapidamente. Por esse motivo, ele começa um relacionamento com data de validade e é exatamente isso que quando expressado, iniciou a discussão entre o casal. Até na hora de Dell pedir Kim em casamento, ele fala como se tudo aquilo fosse acabar...com uma certeza que chegou a me dar nervoso.

Viver desse jeito, é a pior coisa que existe. Isso é quase uma doença, de forma que você nunca se permite viver e se incomoda querendo saber "como" determinada coisa acabará. O trecho da música Somebody that I used to know "You can be addicted to a certain kind of sadness, like resignation to the end, always the end", expressa PERFEITAMENTE esse estado psiquico,onde vai aos poucos desgantando seu possuidor. Acho que por esse motivo, Kim gosta tanto da materialização do "tempo congelado", quando ela observa que não há fluxo temporal em pinturas,por exemplo. Pode-se dizer assim, que por não haver fluxo, não há o "correr" do tempo, não há desgaste..."vive-se" somente o agora. Entretanto, o que fazemos é viver o "agora", de modo que ao se pronunciar o primeiro "a" e o último, já não é mais agora. Pode-se tentar encolher a palavra, como a querida escritora Lya Luft tentou em sua infância no seu livro "O tempo é um rio que corre" e, frustradamente, percebe que nada pode-se fazer, a não ser aceitar o vislumbre que é a vida e a incapacidade de administrar efetivamente seu narrador: o tempo.

FIM DA PRIMEIRA PARTE

  Lembrando que isso são apenas devaneios, sem nenhum embasamento profissional, apenas meu ponto de vista.



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